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Politização produz transformação

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27 Ago 2014
Politização produz transformação

A política é um instrumento de Deus para transformar a sociedade. Infelizmente, e por muito tempo, a igreja se ausentou dos debates públicos e era comum muitos líderes afirmarem que o Corpo de Cristo não deveria participar das discussões envolvendo o tema. Quem nunca ouviu a expressão “política é coisa do diabo”? Pois bem, ele foi tomando posse dessa palavra e destruindo milhares de famílias e o patrimônio nacional. Este sim é o “papel constitucional” de Satanás; matar, roubar e destruir.

Vale ressaltar que o comportamento silencioso do povo de Deus não aconteceu somente no Brasil. Mas este triste panorama está mudando ao longo dos anos. O que temos atualmente é um crescimento vertiginoso dos evangélicos nas Câmaras Municipais, Assembleias Legislativas, no Congresso Nacional e em cargos dos poderes Executivo e Judiciário. Porém, o que tenho visto é que a consciência critica e reflexiva das pessoas em relação à política não têm evoluído na mesma proporção que a participação dos cristãos no cenário da democracia. Muita gente nas igrejas não está devidamente informada sobre o dia a dia da nação e também não procura se informar sobre o que realmente é a política, não busca o conhecimento. Isso é extremamente grave!

As redes sociais deixaram a comunicação mais simples, pratica e direta. São utilizadas para o compartilhamento de vídeos, fotos e notícias. Recadinhos para amigos e familiares também são enviados em poucos cliques e sem nenhuma complicação. A distância não existe mais com a popularização da internet. No entanto, este poderoso veículo de comunicação pode trazer armadilhas e contribuir com a desinformação da população. Pessoas mal intencionadas divulgam conteúdos provenientes de verdadeiros boatos. Aí o receptor não verifica se tal notícia é de fato procedente e compartilha. Forma-se então uma rede de “falsas verdades”. Dezenas de irmãos em Cristo se tornam presas fáceis da alienação na medida em que não tomam o simples cuidado de fazer uma análise para saber se o que estão lendo, ouvindo e vendo, é verdade ou apenas fantasia.

Como o volume de informação disponível é gigante e chega por todos os lados, os deslizes informativos precisam ser evitados. O eleitor cristão deve ser esclarecido, crítico e responsável para não cair na conversa de oportunistas que querem se aproveitar do rebanho de Deus para fins pessoais. Já vi muito candidato que, na propaganda eleitoral, em vez de apresentar seus projetos e dizer o que pretende fazer caso eleito, decora um versículo da Bíblia e o fala durante os preciosos segundos no concorrido espaço destinado a cada político no rádio e na televisão. Ainda leva os filhos que, ao final dizem: “vote no papai (ou na mamãe)”. Lamentável!

O representante da igreja no mundo do poder deve ter metas traçadas, programas de governo, projetos consistentes e bem definidos, pessoas competentes na equipe de trabalho. Precisa ser atuante e produtivo, ter boas ideias, ser criativo, ousado e ser amigo dos princípios contidos na Palavra de Deus. Deve atrair o voto pelas propostas e pelo exemplo de vida, e não por aquela velha frase reproduzida por muitos: “vota nele porque ele é homem de Deus”, ou “vota nela porque ela é mulher de Deus”. Definitivamente, este discurso não é nada progressista. Em muitas situações é até melhor apoiar alguém que não é do nosso meio, contudo, se simpatiza com nossos valores, é honesto, de respeito, possui bons antecedentes e trabalha de verdade do que votar em quem está conosco, mas não mostra comprometimento, disciplina e, além de tudo isso, é amante da preguiça.

Aos guerreiros que já estão nos palácios e casas legislativas, um conselho: Trabalhem, se esforcem para fazer a diferença e divulguem o que estão fazendo. Prestação de contas também faz parte de um mandato honesto, sério e levado aos moldes da responsabilidade e da transparência. É preciso produzir, dar frutos, afinal, têm muita coisa para se fazer em nosso país. Se não mostrar bons resultados, será inútil cobrar votos da igreja em época de eleições. O político brasileiro recebe um bom salário por mês e deve fazer jus a esta remuneração e, principalmente, aos eleitores.

Que estejamos vigilantes sempre! Nas urnas, escolhemos legisladores, gestores, fiscalizadores. Pessoas que vão lutar pela valorização da sociedade, por uma melhor aplicação dos recursos públicos em beneficio de todos e por mais justiça social. Não se deveria votar em alguém apenas pelo fato de este alguém exercer um cargo de liderança dentro de uma igreja. Claro que se o aspirante a algum cargo eletivo já for comprometido com o Reino de Deus, melhor. Entretanto, como já mencionado, no meio político precisamos de gente que apresente projetos, demonstre interesse em tentar resolver nossos problemas.

Vejo também que diversas lideranças religiosas “demonizam” partidos políticos. Rotulam determinadas legendas como “inimigas” do povo de Deus. Tal pratica não é saudável para a democracia e acaba permitindo o afastamento das pessoas nas discussões coletivas. Além disso, cria um clima desnecessário de rivalidade entre o Corpo de Cristo e tais agremiações partidárias. Se existem divergências ideológicas, é mais fácil e menos desgastante buscar minimizá-las através de um discurso moderado, respeitoso em que prevaleça o bom senso. Até porque nenhum partido político minimamente inteligente vai querer agredir com propostas valores e princípios defendidos por mais de 40 milhões de evangélicos. A ampla maioria do povo brasileiro é cristã, portanto, há consenso em muitas bandeiras entre os povos de diversas religiões, fortalecendo assim o exército de defensores de ideais pela família e em favor da vida. Ou seja, temos influência e os partidos sabem muito bem disso e não seria proveitoso a eles uma “guerra” às nossas ideias.

Aos nossos líderes eclesiásticos um pedido: Invistam na politização de seus liderados. Coloquem na grade curricular dos cursos de formação de novas lideranças, disciplinas que discutam a política e a cidadania. Estabeleçam metas claras e objetivos concretos aos candidatos do Corpo ou apoiados por ele. Que haja interatividade entre o político da igreja e a própria igreja. Que o representante cristão no cenário democrático não fique somente nas quatro paredes do templo ou feche os olhos para outros segmentos. Por fim, deixo bem claro que esta opinião pretende ser uma luta pelo envolvimento do povo de Deus com a boa pratica da política. Jamais a intenção deste jornalista é agredir nossos princípios e autoridades espirituais. Que tenhamos sabedoria e busquemos o conhecimento a fim de que sejamos edificados cada vez mais através de ações que valorizem a vida e a boa convivência, mesmo entre pensamentos diferentes.

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Última Modificação: setembro 04, 2014 10:34
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igreja política Informação participação voto consciente democracia.

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